domingo, 22 de junho de 2008

Que se sinta

Só quero respirar os meus "amores" de primavera ao seu lado.

Assim sabendo que aquela melodia antiga(marchinha, talvez) que canta aos meus ouvidos, trara saudades futuras das coisas que vivo hoje.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

A.

Adorável: Não conseguindo nomear a especialidade do seu desejo pelo ser amado, o sujeito apaixonado chega a essa palavra um pouco tola: Adorável!


“Num belo dia de outono, saí para fazer compras. Paris estava adorável naquela manhã... etc”.
Um mundo de percepções vem bruscamente formar uma impressão ofuscante(ofuscar é no fundo impedir de ver, de dizer): o tempo, a estação, a luz, a avenida, a caminhada, os parisienses, as compras, tudo isso contido em algo que já tem vocação de lembrança: um quadro, em suma, o hieróglifo da benevolência ( Assim como Greuze o teria pintado), o desejo bem humorado. Paris inteiro á minha disposição, sem que eu queira alcança-lo; nem apita, nem cupidez. Esqueço todo o real que, em Paris, ultrapassa seu charme: a história, o trabalho, o dinheiro, a mercadoria, a dureza das grandes cidades; só vejo nele o objeto de um desejo esteticamente retido. Do alto do Pére-Lachaise, Rastignac desafiava a cidade: Agora, nós dois; eu digo a Paris: Adorável!

R. Barthes.